Aprenda a fazer um planejamento estratégico para sua empresa

Como estruturar um crescimento sustentável no curto, no médio e no longo prazo?

Por Anderson Tonnera de Carvalho* | Foto: Shutterstock | Adaptação web Caroline Svitras

 

É comum perceber que as organizações mais reagem ao ambiente e aos seus impactos do que definem um plano estruturado para o seu crescimento. É recomendável que toda instituição tenha, pelo menos, os próximos cinco anos definidos de forma clara e tangível. Na inexistência desse planejamento, a organização fica sem um rumo definido e, consequentemente, perde o foco que deveria ter.

 

A primeira fase do planejamento estratégico consiste na criação da identidade organizacional da empresa, ou seja, a visão que os membros da parte estratégica da empresa têm do negócio, onde pretendem chegar e do que não abrem mão no exercício da sua atividade empresarial. Essa primeira  fase é composta pela definição de quatro premissas básicas:

a) Negócio: definir o negócio é o ponto de partida da formulação estratégica. Para essa definição, é importante mostrar, de forma ampla, o que a empresa pretende “entregar”, ou seja, qual o foco ela vai aplicar à sua atividade.

b) Visão: é a percepção de futuro da organização, ou seja, é o rumo que se define para o negócio e para mostrar quem a empresa deseja ser, energizando-a e inspirando-a. O foco é no futuro e pode ser alterado e adaptado de acordo com resultados obtidos.

c) Valores: são os princípios da empresa, ou seja, as convicções que foram adotadas pelos fundadores ao longo da vida, das quais eles não abrem mão em suas atividades empresariais.

d) Missão: é a razão de ser e existir da organização que identifica o negócio. É a carteira de identidade da empresa e deve ser motivadora. O foco é do presente para o futuro, e a missão deve ter a conotação de ser eterna. Sua definição deve contemplar todas as partes interessadas no negócio.

 

A segunda parte do planejamento estratégico diz respeito à análise de cenário, em que é comum utilizarmos a ferramenta chamada Matriz Swot. Essa ferramenta consiste no mapeamento dos fatores externos que influenciam a organização (fatores que darão origem a oportunidades e ameaças) e dos fatores internos (fatores que darão origem a pontos fracos e pontos fortes).

 

Ao realizar a combinação desses fatores, será iniciada a terceira fase do planejamento estratégico: a definição das ações estratégicas. Essas ações serão divididas em quatro tipos de estratégia (de acordo com a origem de cada ação, se foi definida para potencializar um ponto forte, ou minimizar um ponto fraco, entre outras). Por exemplo: se tal ação foi originada pela combinação de uma oportunidade externa com um ponto forte da empresa, estamos falando de uma estratégia de desenvolvimento. No quadro a seguir, são expostas as quatro possibilidades existentes de estratégia:

 

 

Em paralelo com a definição das ações estratégicas, devem ocorrer as definições das metas globais. Tais metas, normalmente, estão ligadas a faturamento, lucro líquido, abertura de novos negócios e plano de expansão. As metas globais devem compreender o resultado numérico e tangível que a empresa quer alcançar no futuro (cinco anos é um prazo razoável). As metas devem ser compostas de objetivo, valor e prazo.

 

É importante que cada ação estratégica tenha um responsável por sua execução. Essa definição tem dois objetivos distintos: envolver toda a organização no processo de mudança e tornar o processo de evolução mais descentralizado, gerando autonomia nos principais líderes. É de vital importância que o primeiro passo, após a definição das ações, seja o de priorizá-las de acordo com a sua urgência e importância.

 

O “produto final” do planejamento estratégico são as metas definidas e as ações estratégicas para alcançar tais metas delegadas aos líderes da empresa. Vale ressaltar que é de grande importância a condução do “pós” planejamento estratégico, ou seja, a formulação de um plano de ação para executar as ações estratégicas e a integração com o orçamento da empresa (para verificar a viabilidade de cada projeto).

 

Recomenda-se que cada líder de projeto (ação estratégica) monte uma equipe com até três pessoas para o desenvolvimento das etapas. Sugere-se ainda uma reunião periódica com a diretoria, para que cada líder apresente os resultados já obtidos e apresente propostas que demandem autorização do alto escalão. Com isso, seria criado, dentro da organização, o comitê estratégico, com o intuito de garantir a execução do que foi definido no planejamento estratégico.

 

Em linhas gerais, com o crescimento da competitividade entre as empresas nos diversos segmentos empresariais, torna-se vital que a organização esteja voltada para o futuro e com o seu caminho crítico de crescimento muito bem definido. É notório que empresas com um plano de crescimento mal definido/formulado tendem a passar por graves dificuldades que poderão levá-las à falência. Nesse contexto, o planejamento estratégico surge como um grande direcionador do futuro da organização e implantá-lo torna-se cada vez mais importante e urgente.

 

 

 

*Anderson Tonnera de Carvalho é coach, palestrante e escritor. Formado em Administração, pós-graduado em gestão da qualidade e certificado em auditoria interna. Especialista em gestão de empresas familiares e escritor dos livros Como elaborar treinamentos eficazes, Governança corporativa e coautor do livro Coaching – A solução.

Adaptado do texto “Planejamento estratégico: do sonho à realidade”

Revista Visão Jurídica Ed. 101