Assessoria jurídica: para que serve?

Por Joanna Paes de Barros e Oliveira* | Foto: Shutterstock | Adaptação web Caroline Svitras

 

É verdadeira a afirmativa de que “a prevenção é o melhor remédio”, principalmente quando se trata do aspecto jurídico no ambiente empresarial. Somos reconhecidos internacionalmente pelo avanço e modernidade das nossas leis. Em legislação comparada, podemos afirmar que o nosso Código de Defesa do Consumidor (CDC) e os dispositivos de lei ambiental são referência mundial.

 

Por outro lado, a produção legislativa tem um contrassenso. O Brasil tem incontáveis edições de leis diárias que dificultam o acompanhamento, inclusive dos profissionais da área jurídica. Cita-se, a exemplo, a edição diária de um sem-número de leis, normas e regulamentos no ramo de Direito Tributário. A excessiva regulação da iniciativa privada submete o empresário a novas e cotidianas obrigações jurídicas. São leis trabalhistas, tributárias, previdenciárias, ambientais, consumeristas, entre outras, que sempre representam um acréscimo no custo para as empresas. Há que mencionar que muitas delas caem por terra posteriormente, quando têm sua constitucionalidade questionada, após o empresário já ter arcado com os custos e o tempo para adaptação de suas atividades produtivas e empresariais às exigências legais.

 

 

Volume

Outro cenário que merece ser levado em consideração é o congestionamento do Poder Judiciário. A discussão judicial dos direitos e obrigações, em qualquer aspecto, contratual, trabalhista, empresarial, é morosa e, muitas vezes, a solução final perde sua efetividade pelo decurso do tempo. Por isso, é tão comum ouvirmos que “mais vale um mau acordo que  uma boa demanda”.

 

No aspecto administrativo, a realidade não é outra. É notório, por exemplo, que o Brasil é um dos países em que o procedimento para a abertura de uma empresa é um dos mais burocráticos e custosos.

 

Por todos os motivos acima elencados, torna-se imprescindível a assessoria jurídica nas empresas. Espera-
se do profissional do Direito estar cada vez mais próximo e conhecer o ambiente empresarial do seu cliente, tanto quanto do próprio gestor do negócio. Tanto no planejamento da atividade empresarial quanto na antecipação e na previsão de riscos e contingências, a assessoria jurídica tem se mostrado vital à saúde da empresa, pois, com a dinâmica alcançada pela globalização, o mercado atual não perdoa os empresários que não anteveem riscos em sua atividade econômica. Por isso, cada vez mais, as empresas têm evoluído quanto à aceitação da importância do suporte jurídico preventivo.

 

 

Investimento

É seguro que os custos advindos da consultoria preventiva são muito menos impactantes do que os gastos no processo contencioso. Além do prejuízo à imagem da empresa, muitas vezes causados pela repercussão das ações trabalhistas e ambientais, por exemplo. É desaconselhável a postura da maioria dos empresários, que só procuram uma assessoria jurídica quando se mostra inevitável: quando há uma ação judicial em trâmite.

 

Nesse caso, os custos para a empresa são maiores, com percentuais altos, dependendo do valor da ação. Quando a empresa conta com assessoria jurídica, é bem diferente, o custo é menor, muitas vezes calculado mensalmente, e há um acompanhamento contínuo das demandas ativas, constando a data provável do término de uma ação, a probabilidade de êxito e a antecipação dos gastos, o que facilita o planejamento do empresário para arcar com eventuais condenações.

 

Um exemplo recorrente que vivenciamos é o cliente nos consultar quando tem um contrato descumprido pelo seu fornecedor, para ingressarmos com uma demanda judicial. Não acompanhamos a negociação e, muitas vezes, a própria confecção e celebração do contrato! A própria ação pode ficar prejudicada pela inobservância dos requisitos do contrato.

 

 

*Joanna Paes de Barros e Oliveira é sócia do Escritório Schmidt, Dell Agnolo, Candello & Paes de Barros Advogados. É pós-graduada em Direito Processual  Civil pela PUC-Campinas, em Responsabilidade Civil pela FGV, em Direito Constitucional pelo Centro de Extensão Universitária (CEU), em Direito Internacional pela PUC-SP, especialista em Direito Americano e Internacional pelo Center of America and Internacional Law, de Dallas (EUA), com experiência profissional nas áreas cível, empresarial e ambiental.

Adaptado do texto “Staff legal”

Revista Visão Jurídica Ed. 89