Desafios da advocacia corporativa

Por Alexandre Tarciso Tavares* | Foto: Shutterstock | Adaptação web Caroline Svitras

 

Há muito se fala nos elevados custos para as empresas decorrentes de litígios judiciais, em especial quando envolvem processos de natureza trabalhista, tais como reclamações de trabalhadores, ações civis públicas, fiscalizações do Ministério Público do Trabalho e outras.

 

Grandes, médias e pequenas empresas, independente do número de empregados e do ramo de atividade em que atuam, vêm enfrentando sensível aumento na rotatividade de trabalhadores, por iniciativa do empregador como também do empregado, fato que acaba acirrando disputadas na Justiça do Trabalho, com a consequente necessidade de administrar muitos processos trabalhistas, na maioria das vezes sem conseguir identificar as verdadeiras causas.

 

Em muitos setores as estatísticas apontam para um quadro complexo e com situações recorrentes envolvendo determinadas demandas, tais como os bancos, grandes sites produtivos dos setores industriais metalúrgico, químico e alimentício, para ilustrar.

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Criatividade

Nesse contexto, é cada vez mais necessário criatividade para gerir as relações de trabalho, além de conhecimento da legislação e experiência para implementar medidas de prevenção nas variadas situações de risco, e é nessa direção que as empresas esperam que os gestores e advogados corporativos lhes conduzam.

 

A advocacia corporativa deve estar preparada também para os muitos desafios que surgem em momentos de crise ou de agravamento de cenário econômico.

 

 

Quando se conhece o negócio e a empresa a fundo, isto é, quando se é especialista, é possível antever ocorrências, identificar oportunidades e tornar a área jurídica geradora de resultados relevantes para a empresa.

 

Essas mesmas visão e postura deve ter o advogado terceirizado, para atuar como verdadeiro parceiro dos gestores e do corpo jurídico interno, auxiliando-os na definição da melhor estratégia, para superar os desafios que surgem diariamente e reverter ou minimizar impactos financeiros.

 

Dos advogados e escritórios parceiros se espera muito mais do que a simples condução de processos, do que a atuação reativa ou a consultoria sem arrojo. Devem esses profissionais desempenhar papel estratégico para que as áreas jurídica interna e de RH alcancem os melhores resultados possíveis.

 

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Compreensão

Aqueles profissionais que desenvolvem capacidade de entender e focar seu olhar nos negócios e nas definições estratégicas de seus clientes, somando suas expertises ao conhecimento e às ações dos gestores corporativos, certamente farão sensível e positiva diferença nas relações entre empresas e trabalhadores.

 

Nesse contexto, porém, as empresas precisam lidar com a equação “demandas crescentes por serviços jurídicos” versus “necessidade de adequação de custos” por conta do impacto orçamentário típico de um período em que a economia está menos favorável. Como já destacado antes, a advocacia corporativa, integrada pelo jurídico interno e pelos parceiros externos, tem obrigação de, como parte do negócio, equacionar custos, efetividade e buscar resultados financeiros, pois essas são premissas de atividade empresarial.

 

Não resta dúvida que a área jurídica interna, com sua inafastável postura empresarial, coadjuvada por parceiros focados no negócio e nas definições estratégicas da empresa, contribuirá de forma decisiva para que as melhores decisões sejam tomadas com vistas a melhorar as relações com os trabalhadores, a evitar ou minimizar riscos e, enfim, atingir os melhores resultados dentre os possíveis.

 

 

*Alexandre Tarciso Tavares é advogado trabalhista, sócio da Piazzeta, Boeira e Rasador Advocacia Empresarial e membro/representante do PNBE – Pensamento Nacional das Bases Empresariais.