Quando e como transferir a administração à outra pessoa?

Por Vagner Miranda Rocha* | Foto: Shutterstock

Os desafios que o administrador de uma empresa enfrenta são muitos e alguns são específicos e comuns em empreendimentos de pequeno e até de médio portes. Neles, é normal que o próprio dono atue como o principal administrador, já que foi ele quem criou, desenvolveu os processos e conhece melhor o negócio – o que acaba provocando seu envolvimento com o planejamento, a estruturação, a organização, a avaliação da performance e até a execução das atividades.

 

Por muitas vezes, as circunstâncias existentes criam a necessidade de o dono do negócio manter-se como o administrador da empresa, mesmo que este não seja o seu ponto forte, que ele não goste de desempenhar a função e não seja o mais interessante para o negócio.

 

Evolução

Para se dedicar ao que tem vocação e que normalmente é a maior causa do sucesso da empresa, é preciso muita perspicácia do proprietário para que, desde cedo, ele se preocupe em criar as condições que o permitirão transferir a administração da empresa para um terceiro, tendo a certeza de que terá como manter o controle das ações.

 

Tomar a decisão de transferir o comando da empresa é um passo muito importante e existe a forma certa e o momento ideal para isso ser praticado. A transmissão do comando deve ser feita de forma plena, o que corresponde a delegar não apenas responsabilidade, mas também autoridade ao novo administrador, que passará a gerir a empresa à sua maneira, porém, perseguindo os objetivos traçados com o dono do negócio.

 

O momento de fazer isso é quando tudo o que for impactado de alguma forma pela mudança estiver devidamente preparado e adequado para a nova situação. As pessoas, incluindo o novo e o antigo administrador, são as que mais precisam estar preparadas para essa mudança, sob vários aspectos. O principal deles está relacionado com à necessidade de respeito às regras de conduta que vão garantir a legitimidade de todas as decisões tomadas na empresa nesse novo cenário.

Capacitação

Deixando preparadas as pessoas diretamente envolvidas na transição, o mais importante passa a ser a criação dos mecanismos de controle interno, que darão ao dono da empresa a convicção de que ele continuará tendo o domínio da situação. A implantação e a utilização de bons controles internos é um dos meios que pode contribuir significativamente para que a transferência do comando da empresa ocorra dentro de um ambiente seguro.

 

Ter bons controles internos funcionando é importante para empresas de todos os tamanhos e em todas as fases de sua existência. Entretanto, quando se fala em controle, logo se pensa na existência de variados tipos de mecanismos, voltados para garantir que as metas sejam atingidas, que o patrimônio fique protegido e que o custo e a dificuldade de implementação, manutenção e respeito a eles sejam fatores impeditivos. Nem tanto.

 

O administrador de qualquer tipo e tamanho de empresa precisa compreender que os relatórios produzidos a partir do sistema de contabilidade – que, legalmente, deve ser mantido funcionando pela empresa –, podem servir bem como instrumentos de controles internos. Os relatórios gerados pela contabilidade permitem controlar as contas bancárias, acompanhando a entrada e a saída de dinheiro e os estoques, possibilitando saber se o valor investido está adequado. Tem-se também um controle das contas a pagar e a receber, analisando os prazos e as datas de pagamentos e recebimentos. Além disso, a contabilidade acompanha o pagamento de salários, impostos, empréstimos, receitas e despesas, dentre outras funções.

 

*Vagner Miranda Rocha é administrador de empresas e sócio da VSW Soluções Empresariais.

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