Logística jurídica

A nova aliada dos escritórios de advocacia e departamentos jurídicos

Por José Jeronimo Reis* | Foto: Shutterstock | Adaptação web Caroline Svitras

Um velho problema enfrentado pelos escritórios de advocacia e departamentos jurídicos hoje já tem solução! A gestão de correspondentes, profissionais que representam os escritórios nos mais distantes cantos do País, sempre tida por vilã pelos departamentos financeiros em razão dos altos custos, é feita hoje de modo totalmente profissional e, o melhor, fora das sedes dos escritórios.

 

As grandes responsáveis por esse movimento são as empresas de logística jurídica, que se tornaram o braço direito dos departamentos paralegal e financeiro. Tendo como core business a execução de serviços paralegais e a gestão de profissionais, as empresas de logística jurídica atuam numa área famosa pela burocracia, uma vez que administrar processos pulverizados pelo País todo é tarefa das mais difíceis dentro dos escritórios e departamentos jurídicos de empresas.

 

Dificuldades

Vários são os problemas enfrentados pelos profissionais responsáveis pela gestão dos serviços de correspondentes, mas, dentre eles, pode ser destacada a falta de softwares específicos, além da má qualidade dos serviços prestados por diversos deles.

 

Há relativamente pouco tempo, o mercado jurídico começou a voltar os olhos para esse segmento, antes relegado a segundo ou a terceiro planos. Um dos motivos para isso é o crescente aumento das ações envolvendo o direito consumerista, um dos setores da advocacia que vem experimentando substancial crescimento, com grandes chances de continuidade, tais quais as áreas ambiental, de petróleo e gás, infraestrutura, arbitragem, digital, bioética e franchising.

 

Levantamento

Recente pesquisa feita pela Gejur mostrou que os principais motivos para a contratação de um correspondente são a logística do profissional, acompanhada pela redução de custos e pelo foco no core business. Para os advogados que participaram da pesquisa, a tecnologia utilizada, o preço praticado, o tempo de mercado e a abrangência geográfica estão entre os demais aspectos de relevância, seguidos diretamente pela agilidade do serviço, a praticidade e a confiança.

 

Como é certo, tais requisitos deveriam ser exigidos dos correspondentes contratados diretamente pelos escritórios, mas essa contratação direta traz consigo alguns graves problemas, como o enorme tempo despendido nos contatos diretos, a falta de profissionalismo de muitos deles, o alto custo individual, além de outros muitos entraves.

 

Quem faz a gerência de correspondentes sabe que, se é difícil exigir um mínimo de qualidade ao ser feita a foto de um processo ou o envio de um simples recibo, o que dizer, então, de outros fatores, tais como os citados retro. Todos esses problemas são facilmente solucionados com a contratação de empresas prestadoras de serviços de logística jurídica, eis que atuam especificamente no segmento e conseguem diminuir custos, em razão de volume de trabalho, além de possuírem profissionais com alta expertise.

 

No modelo de gestão com padrão cada vez mais empresarial, no qual os escritórios devem estar inseridos, nada melhor do que trabalhar com profissionalização também nos serviços paralegais. Contudo, deve ser passado para a equipe que irá atuar diretamente com a empresa contratada que há uma grande diferença entre os correspondentes e os novos prestadores de serviço, pois, agora, há uma verdadeira base de apoio à sua disposição.

 

Gestão

A relação entre os departamentos financeiros também deve ser trabalhada para que haja a adequação necessária, pois não mais existirão RPAs, recibos simples, descontos previdenciários ou planilhas mal formatadas. Com as empresas de logística jurídica, há emissão de notas fiscais, relatórios gerenciais e arquivamento de informações e documentos em softwares específicos.

 

 

A penetração das empresas no contexto da gestão dos escritórios já é algo nítido e certo, mas muitos dos grandes escritórios ainda não se adaptaram a esta nova realidade, o que prejudica sobremaneira os projetos de estarem na vanguarda da advocacia.

 

Os investimentos feitos pelas empresas de logística jurídica em treinamentos constantes da equipe, em tecnologia e em equipamentos são fatores determinantes para sua contratação, até mesmo porque, ao contratá-las, não se está tirando o trabalho dos correspondentes, muito pelo contrário, ocorre uma seleção de bons profissionais, na medida em que as empresas vão buscar manter apenas aqueles que são competentes. Ocorre quase uma seleção natural, na qual ficam somente os bons.

 

Atualmente, a profissionalização do setor, imposta pelas empresas sérias e comprometidas com seus ideais, é tamanha, a ponto de chegarmos a uma situação na qual algumas delas estão investindo em equipe própria para a execução dos serviços, trocando os correspondentes por advogados e prepostos contratados diretamente.

 

A gestão de correspondentes é relativamente fácil de ser realizada, se esse for o target da empresa, porquanto há vários sites e meios de comunicação entre os profissionais que prestam esse tipo de serviço.

 

 

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Visão Jurídica Ed. 84

Adaptado do texto “Logística jurídica”

*José Jeronimo Reis é advogado, especialista em Direito Empresarial e do Consumidor, fundador e primeiro presidente da Comissão de Administração Legal da OAB/SP – Subseção de Ribeirão Preto, sócio-diretor da Inove Logística Jurídica, membro do Centro de Estudos de Administração de Escritórios de Advocacia (CEAE), colunista e articulista em sites e jornais.

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