Quer abrir seu próprio escritório de advocacia?

Veja o que Rodrigo Valverde recomenda para que os advogados não errem na hora de tomar essa decisão

Por Caroline Svitras | Foto: Shutterstock

Em certo momento da carreira, o advogado pode começar a pensar em abrir seu próprio escritório. É comum nessa área o desejo de liderar um empreendimento e lançar seu nome no mercado. Pensando nisso, conversamos com Rodrigo Valverde, advogado sócio do Schroeder-Valverde, sobre dicas e conselhos para aqueles que estão pensando em se aventurar no negócio próprio.

 

Primeiramente, como saber a hora de deixar de ser funcionário e abrir o próprio escritório?

RODRIGO VALVERDE – O advogado precisa fazer uma reflexão e entender se ele quer ser um empreendedor. Abrir o próprio negócio envolve muitos riscos e muito tempo despendido na gestão. A maior parte das pessoas não tem este perfil. Acontece o encantamento e o foco na parte boa de empreender, mas a realidade é muito mais pesada e maçante para quem não gosta da atividade.

De forma geral, se o advogado é insatisfeito com o local que trabalha, se ele acha que pode fazer diferente, se ele entende que já tem maturidade para montar e gerir um negócio próprio, se ele tem clientes, se ele fez um business plan e validou este com pessoas de mercado, se ele está disposto a trabalhar de domingo a domingo, enfrentar reclamações trabalhistas, pagar impostos, ter sócios honestos – mas também desonestos -, se ele tem consciência que quebrar, falir ou ter que voltar atrás é um risco diário e tudo bem, ele está pronto.

Não necessariamente o advogado vai estar tranquilo com todas essas variáveis, mas são variáveis que ele precisa ter na cabeça para empreender. O advogado que empreende precisar ter coragem para lançar-se como empreendedor, mas também a inteligência para recuar, quando necessário.

 

Logística jurídica

 

Quais são os aspectos que devem ser considerados na hora de dar início a um novo negócio?

R. V. – Qual será o perfil do escritório? Quantos clientes o escritório gostaria de atender? Quais tipos de serviço o escritório prestará? Qual tíquete médio destes serviços? Quantas pessoas serão necessárias para tocar a operação? Qual momento de contratá-las? Qual a forma de pagamento dos clientes (para poder, por exemplo, prever fluxo de caixa)? Qual prazo do contrato de locação da sala (e multa por rescisão)? Quanto custará a reforma/adaptação do local?

 

Que dicas você dá para quem planeja ter o próprio escritório de advocacia?

R. V. – Esteja muito, muito convicto de que está fazendo o movimento certo e na hora certa. Certifique-se de que você está cercado de pessoas boas, seja como sócios, consultores ou advisors. Sua vida irá mudar e sua prioridade será para todo o sempre o seu escritório. Não existe mais fim de semana, você pensará nele todos os dias e será assim para todo o sempre. Case com alguém que entenda que sua vida será assim. Empreenda, invista, chore, caia, levante mais forte e nunca, nunca se acomode. Tenha a percepção e humildade para estar sempre alerta, não importa o quão bom foi seu resultado do ano passado. Suba sempre a régua e esteja atento: você só poderá se declarar vencedor quando você se aposentar. Até lá, a guerra é diária.

 

Transformando advogados em sócios empreendedores

 

Considerações adicionais que achar válidas.

R. V. – A economia, a sociedade, os tomadores de decisão, tudo está mudando em um ritmo cada vez mais dinâmico. Atualize-se com constância, converse com advogados mais velhos com frequência, melhore suas relações, invista no seu aprendizado. Lembre-se: você deixou de ser um advogado, técnico, para ser um super-homem, advogado, marido, empreendedor, chefe, pagador de impostos, diretor comercial, gerente de marketing, diretor de operações, arquiteto, Buda e Genghis Khan. Com tudo isso, perder tempo com qualquer coisa que não seja aprendizado, é burrice.

Por fim, nunca deixe alguém lhe precificar. Muitos – ou quase todos – dirão que você é louco, perdulário ou, por outro lado, que você é muito inteligente, brilhante e que tudo dará certo. Estão todos errados. Nem você é um louco por investir em si mesmo, nem você é um ás que fará tudo certo. Tenha a autoconfiança necessária para te impulsionar todos os dias, mas, também, sinta medo todos os dias. O medo de dar errado vai sempre lhe deixar alerta e nunca lhe levará para uma zona de conforto – o erro mais comum é a síndrome do vencedor, em que a pessoa acha que, por ter dado certo, tudo que ela faz está correto, ela enxerga mais do que todos e, aos poucos, começa a perder-se. As vezes dá tempo de corrigir os rumos do escritório, as vezes não.

Coragem e boa sorte!

 

Sobre Rodrigo Valverde

Sócio do Schroeder-Valverde, Rodrigo Valverde é advogado com mais de 11 anos de experiência no setor. Trabalhou em escritório como Mattos Filho, Souza Cescon e no Submarino S.A., sendo responsável pela assessoria na fusão da empresa com a Americanas.Com, dando origem a criação da 3ª maior empresa de ecommerce do mundo à época, a B2W. Atua com assessoria jurídica a empresas como: Decolar.Com, Viajanet, Groupon, Singu, Rapi10, Egenius, Bee Cambio, Easy Carros, Udesing, Vale Presente, Repassa, Squad, entre outras startups. É professor convidado da Universidade Presbiteriana Mackenzie, palestrante do HSM, já participou do conselho de administração da Master Park (investida do Pátria Investimentos) e contribui para a melhoria do ambiente de negócios no Brasil, aconselhando empresas e fundadores a vencer no Brasil.