Saiba como renegociar suas dívidas

Por Gustavo Milaré* | Foto: Shutterstock | Adaptação web Caroline Svitras

Não é novidade para ninguém que o Brasil está passando por uma séria crise econômico-financeira. Possivelmente, a maior da sua história. Em certa medida, essa crise que se abateu sobre nosso país em 2015 e que piorou neste ano é decorrência da falta de credibilidade que atingiu o governo Dilma e sua equipe econômica.

Daí porque a mudança ocorrida no cenário político nacional com o impeachment da presidente Dilma Rousseff já foi suficiente para fazer o mercado acreditar que a economia brasileira pudesse esboçar alguns sinais de melhora no segundo semestre do ano.

A esperança de um novo horizonte para a nossa economia trouxe um ambiente mais favorável para as pessoas renegociarem suas dívidas.

 

Ações

Para tanto, seguem algumas dicas que podem ajudar as pessoas e empresas endividadas a solucionarem ou, ao menos, minimizarem seus problemas financeiros, confira-se:

– análise da real situação: primeiro, é imprescindível que o devedor analise criteriosa e objetivamente suas finanças, a fim de ter a exata medida da extensão da sua dívida e do impacto dela para sua vida ou negócio;

– saber quanto pode pagar: antes de entrar em qualquer renegociação de dívida, também é imprescindível que o devedor saiba quanto efetivamente poderá pagar, com base em valores certos (e não em recebíveis apenas esperados/idealizados), a fim de não se comprometer com valores além das suas reais possibilidades;

– verificar outras formas de pagamento: também é recomendável que, antes de renegociar, o devedor verifique a possibilidade de pagar a dívida (ou parte dela) por meio de outro modo que não o contratado, como, por exemplo, utilizando bens imóveis (casa, apartamento etc.) ou móveis (carro, moto, artigos de valor etc.), desde que, obviamente, esses bens não sejam indispensáveis à geração da sua renda;

– consultar um advogado: ainda antes de renegociar, é altamente recomendável que o devedor consulte um advogado de sua confiança sobre a correção daquela dívida, a possibilidade de eventualmente discuti-la em juízo, bem como outros possíveis caminhos para a solução de suas pendências financeiras; e

– contatar o credor: de preferência somente após ter seguido as dicas acima, o devedor deve entrar em contato com o credor para expor sua realidade financeira e demonstrar seu interesse em renegociar a dívida. Em geral, as empresas já estão acostumadas em renegociar dívidas. Por isso, basta saber qual o procedimento a ser seguido e, obviamente, apenas fechar um acordo que tenha certeza se tratar de um bom negócio e que acabe com seu endividamento.

 

Revista Visão Jurídica Ed. 124

Adaptado do texto “Ganha-ganha”

*Gustavo Milaré é advogado, mestre e doutor em Direito Processual Civil e sócio do escritório Meirelles Milaré Advogados.