5 tendências tecnológicas que impactarão as instituições financeiras até 2020

Por Kleber Stroeh* | Foto: Shutterstock | Adaptação web Caroline Svitras

O setor financeiro está vivendo um momento de transformação e, certamente, uma das maiores mudanças de paradigmas dos últimos séculos, fruto da revolução digital.

Há pouco tempo, era inimaginável ter acesso a certas informações em um clique ou automatizar a organização de gastos por meio de tecnologia inteligente de sistemas, quanto mais pensar em usar uma moeda digital ou um dispositivo de pagamento “usável”, como um relógio.

Estas são algumas das “exigências” de um novo perfil de cliente altamente conectado, que emergiu nos últimos anos e, com ele, novas necessidades e novos modelos de gestão das finanças. Para se ter uma ideia da dimensão e profundidade dessa transformação, em 2015 cerca de 95% dos celulares vendidos no país foram smartphones, segundo estudo recente feito pelo IDC Brasil.

Acrescente ao mundo conectado e todas essas tecnologias o fenômeno de “desbancarização“ e simplificação das estruturas. Assim surgem, por exemplo, as Fintechs – abreviatura para Financial Technology – nome dado à indústria composta por empresas, tipicamente startups, que usam a tecnologia para tornar os serviços financeiros mais eficientes. As Fintechs agitam o segmento porque seus produtos e serviços desburocratizam a relação dos usuários com o dinheiro, na forma de um cartão de crédito ou um banco “full service” digital, sem a cobrança ou com tarifas bastante reduzidas, e com todo o atendimento disponível no celular.

Com a ajuda de estudos feitos pela Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN) e importantes entidades do setor, listamos cinco tendências que prometem impactar de forma direta e com maior intensidade o mercado financeiro até 2020.

1. Modernização dos processosde middle e back office

As instituições financeiras têm feito grandes esforços para melhorar a forma com que interagem com seus clientes, investindo em novas tecnologias, canais de atendimento e experiência do usuário (Customer Experience). No entanto, ainda há uma “lição de casa” pendente, visando ganhos de eficiência operacional, custo e produtividade.

A modernização dos processos de middle e back office é essencial para suportar a evolução do front office, que terá nos canais digitais seu carro chefe. Para isso, tecnologias ligadas a Gestão de Ativos, Soluções de BPM e ABPD, EIM, Dashboards e IOBVDs são essenciais.

 

2. Customer Experience

A experiência do usuário tornou-se algo indispensável para qualquer negócio da nova economia. Customer Experience, de forma resumida, consiste em entender a fundo o perfil do cliente e todo seu ciclo de interação com a marca, em uma jornada fim a fim.

Este conceito pode ser potencializado nos negócios que interagem com seus clientes por meios tecnológicos, graças à possibilidade de mensurar e analisar os passos dado pelo consumidor, seja ao acessar um site de cotação de seguros, um POS ou um aplicativo móvel.

Tecnologias como Smart Devices, que inclui wearables e dispositivos conectados (IoT), Data Intelligence – Big Data e Analytics, e a conectividade com mídias sociais e Apps, especialmente de mensagens, estarão em pauta cada vez mais.

 

3. Canais Digitais

Se olharmos apenas sob a ótica dos bancos, as transações em meios digitais já superam as transações feitas em meios tradicionais (50% contra 31%, respectivamente, em 2014 segundo dados da FEBRABAN). No entanto, esses números são expansíveis a todo segmento.

Novas tecnologias surgiram permitindo que custos fossem reduzidos e que houvesse um avanço significativo, tanto na disponibilidade quanto na velocidade das transações. Parte disso é devido a adoção de soluções de Cloud Computing (Computação na Nuvem), virtualização (de servidores, por exemplo) e soluções “as a Service”, que ganharam confiança e escala graças a uma internet com maior capilaridade e qualidade, além de dispositivos, sites e aplicativos cada vez melhores.

Essa rápida adoção dos meios digitais deve alavancar ainda mais os investimentos em novas interfaces e formatos de uso da tecnologia, metodologias ágeis e ferramentas que aceleram o desenvolvimento.

 

4. Meios de pagamento

A indústria de meios de pagamento, embora faça parte do escopo dos serviços financeiros, tem seus próprios atores: bandeiras, adquirentes e subadquirentes, processadores e mais recentemente, as instituições não bancárias, como empresas de telecomunicações e tecnologia da informação, e empresas de nicho.

A massificação do mobile payment deverá fortalecer ainda mais esta indústria e, com isso, novas tecnologias envolvendo uma gestão eficiente de infraestrutura e redes, apoiada em dashboards e IOBVDs se torna essencial.

 

5. Computação Cognitiva

A computação cognitiva tem potencial para promover uma mudança significativa ao tomar uma forma mais definida nos últimos anos – e, por que não, mais positiva do que imagens passadas por franquias de filmes, como “O Exterminador do Futuro” e sua Skynet.

À medida que casos de uso emergem e o acesso a tecnologias de computação cognitiva se tornam cada vez mais cotidianas, graças aos assistentes pessoais inteligentes já presentes na maioria dos smartphones disponíveis no mercado, corporativamente, o IBM Watson desponta como a principal plataforma nessa área.

Assim, tecnologias de Analytics aliadas à computação cognitiva e o avanço no reconhecimento e interpretação de voz em conjunto com assistentes pessoais deverão ganhar visibilidade e espaço no roadmap evolutivo de tecnologias das instituições financeiras.

 

Revista Visão Jurídica Ed. 129

Adaptado do texto “5 tendências tecnológicas que impactarão as instituições financeiras até 2020”

*Kleber Stroeh é CTO e sócio fundador da Icaro Tech.