Cibersegurança é importante para empresas

Por que o tema deve estar na agenda dos escritórios de advocacia?

Por Fernando Dulinski* | Foto: Shutterstock | Adaptação web Caroline Svitras

Já imaginou ter todo o sistema da sua empresa invadido por hackers e todas as informações sigilosas serem divulgadas ou simplesmente apagadas? Se a sua resposta para esta pergunta foi nunca ter imaginado que isso possa acontecer, sugiro que comece a pensar após ler este artigo.

 

Para o setor jurídico, a informação é a base de trabalho, um ativo que possui valor, podendo determinar a sobrevivência do negócio e o êxito de um caso ou processo. A banca que deseja competir no âmbito da prestação de serviços jurídicos com alta qualidade e rapidez precisa lidar com o impacto da tecnologia e se adaptar aos desafios, cada vez mais críticos, em segurança da informação.

 

No ano de 2016, a consultoria PwC realizou sua pesquisa global sobre segurança da informação, onde reportou que 62% das firmas de advocacia foram vítimas de ciberataques, o que representa um aumento de 17% ao ano anterior.

 

É fundamental que o setor coloque em pauta a segurança cibernética. Trata-se de um tema complexo, o qual demanda um olhar pleno sobre o ambiente organizacional, abordando temas tais como: estratégia e planejamento da empresa, gerenciamento de riscos e os aspectos humanos, normativos e políticas de segurança.

 

Mesmo que sua empresa possua os melhores firewalls, antivírus e sistemas de proteção que garanta 99% da integridade das informações, é preciso reconhecer que a segurança da informação vai muito além das ferramentas.  Podemos tomar como exemplo o notório caso conhecido como Panama Papers, onde o escritório Mossack Fonseca sofreu um vazamento de 11,5 milhões de documentos, aparentemente por um descuido de um colaborador no uso do e-mail.

 

Neste ponto, as bancas jurídicas devem considerar analisar globalmente os riscos que podem impactar o negócio e comprometer as informações.

 

Visão

O desafio se intensifica quando o assunto é a cultura das empresas e a negligência com sua segurança cibernética. Infelizmente, acabam deixando de lado os investimentos para manterem as informações seguras, seja por comodismo, por falta de capital ou por acharem inviável tais proteções. A PwC, em seu relatório de 2011, destacou que: ‘’Algumas firmas de advocacia acreditam ser pequenas demais ou desconhecidas para despertar o interesse de hackers profissionais’’.

 

Passados seis anos, a mentalidade continua a mesma. É preciso desmontar essa lógica. Negócios pequenos não são menos suscetíveis a ataques. Agentes mal-intencionados, sejam profissionais ou amadores, estão expandindo suas visitas para além de multinacionais, incluindo nas suas listas de ataque qualquer empresa que armazena dados sensíveis e em formato eletrônico.

 

Para concluir, o desafio está em harmonizar as dimensões dos avanços tecnológicos e os desafios cibernéticos. A primeira diz respeito sobre o setor jurídico continuar se adaptando às tecnologias emergentes no mercado – mobilidade, computação em nuvem, inteligência artificial e outras.

 

Revista Visão Jurídica Ed. 130

Adaptado do texto “Cibersegurança”

*Fernando Dulinski é fundador e CEO da Unbroken, consultoria especializada em segurança da informação para o setor jurídico, Diretor de Negócios da Associação de Jovens Empresários de Porto Alegre (AJE Poa), Escritor do livro digital Manual de Cibersegurança Jurídica e palestrante.