Como acontece a divisão de bens

Por Débora May Pelegrim* | Foto: Shutterstock | Adaptação web Caroline Svitras

Regime de bens consiste num conjunto de normas que irá regulamentar os direitos patrimoniais do casal diante da instituição do casamento. Em regra, a escolha de regime de bens é efetuada livremente pelos nubentes e deverá ser estabelecido pelo pacto antenupcial.

Estabelecido o regime de separação de bens, cada cônjuge poderá dispor livremente de seu patrimônio, sem qualquer restrição à sua administração ou alienação (doação, troca, venda) e a autorização pelo outro cônjuge em relação aos imóveis nos demais regimes.

 

Pacto Antenupcial: entenda como funciona

 

Funcionamento

O regime da separação de bens prevê a obrigação, a incumbência, ou seja, a responsabilidade individual pelas dívidas contraídas antes e depois do casamento.

Vale salientar que, neste regime, ambos os cônjuges são obrigados a contribuir para as despesas do casal na proporção dos rendimentos de seu trabalho e de seus bens, salvo estipulação em contrário no pacto antenupcial.

Em determinadas situações, a lei obriga os nubentes a submeterem-se ao regime de separação de bens, quais sejam:

  • quando um dos nubentes contar com mais de 70 (setenta) anos de idade;
  • quando um ou ambos os nubentes contraírem casamento existindo causas suspensivas da celebração;
  • quando um ou ambos os nubentes dependerem de consentimento judicial para se casarem, conforme relacionado nos itens anteriormente descritos.

O Código Civil de 1916 conferia ao cônjuge sobrevivente direito real de habitação sobre o imóvel destinado à residência da família, desde que casado sob o regime da comunhão universal de bens.

Em relação ao direito real de habitação, dispõe o Artigo 1.831 do Código Civil brasileiro: “Ao cônjuge sobrevivente, qualquer que seja o regime de bens, será assegurado, sem prejuízo da participação que lhe caiba na herança, o direito real de habitação relativamente ao imóvel destinado à residência da família, desde que seja o único daquela natureza a inventariar”.

O Código Civil de 2002 abandonou a postura do anterior e a Lei no 9.278/96 concedeu direito correspondente aos companheiros e, estendendo o proveito, benefício a todos os cônjuges sobreviventes, independentemente do regime de bens do casamento.

 

Revista Visão Jurídica Ed. 97

Adaptado do texto “Casamento x casa”

*Débora May Pelegrim é bacharel em Direito pela Universidade do Sul de Santa Catarina e colaboradora do Escritório Giovani Duarte Oliveira Advogados e Associados na área de Direito de Família e Sucessões.