Barry Wolfe explica como grandes empresas podem evitar envolvimento em crimes coorporativos

Considerado o maior especialista do Brasil em crimes no mercado financeiro, advogado internacional Barry Wolfe diz que medidas simples inibem até 80% da formação de “clusters de corrupção”

Da Redação | Foto: Shutterstock | Adaptação web Caroline Svitras

Com clientes no top 10 das maiores empresas em operação no Brasil e mais de 20 anos de investigações de corrupção no meio corporativo e de planejamento de compliance, o advogado britânico Barry Wolfe vem se sentindo, como em raros momentos de sua carreira, um peixe dentro da água. Acostumado a transitar nas altas cúpulas de grandes empresas de forma quase sempre elíptica, com a discrição que seu apelido de “Sherlock Holmes do mundo dos negócios” exige, Wolfe, nestes tempos de Lei Anticorrupção, tem sido levado a se mostrar bem mais do que de costume.

 

Não se trata, porém, de um problema para esse escocês formado em Cambridge e com especialização em Criminologia e Direito Internacional, que, há 28 anos, trocou o frio de Londres pelo eventual calor paulistano. “Estou gostando da quase fama”, ri. “O problema é que, se eu deixar, uso mais tempo ao telefone do que nas investigações.”

 

Com base em sua experiência de descoberta de dezenas de casos de fraudes e tentativas de corrupção e nas consultas que vem recebendo em decorrência dos rigores da Lei Federal 12.846, Wolfe criou um pequeno manual de “deveres de casa” para empreendedores e altos executivos que não querem correr o risco de ver suas companhias envolvidas em desgastantes casos de crimes corporativos. “São só algumas dicas simples, enquanto o pessoal prepara suas novas medidas de compliance”, explica Barry. “Entretanto, penso que 80% dos casos aos quais já atendi não teriam ocorrido, se coisas assim tivessem sido levadas em consideração.”

 

Revista Visão Jurídica Ed. 97

Adaptado do texto “Deveres de casa”