O que escritórios pequenos podem fazer para driblar as crises no Direito

“Eu não vejo muito futuro [depois de 2020] para a maioria das pequenas empresas...” - Richard Susskind

Por Gustavo Rocha* | Fotos: Shutterstock | Adaptação web Caroline Svitras

O autor do best seller Advogados de amanhã afirma que teremos muito poucos escritórios jurídicos de pequeno porte em 2020, devido a três principais fatores:

  1. Clientes que exigem mais trabalho por menos dinheiro;
  2. Liberalização da profissão ou trabalhos feitos por não advogados;
  3. Tecnologia.

Em relação a clientes, a realidade afirmada por Susskind é verdadeira, inclusive no Brasil: temos visto cada vez mais clientes exigindo dos advogados mais trabalho por menos dinheiro.

Em razão de diversos fatores, inclusive por ser uma classe desunida, profissionais – em sua maioria mais jovens na carreira – aceitam trabalhos por valores menores, que, muitas vezes, não cobrem nem mesmo seus custos e acabam transformando todo o mercado numa vala comum. Todos reclamam que querem ganhar mais, ser valorizados etc.; contudo, não se valorizam. Um erro elementar, mas real.

 

Crítica

Apesar de, no Brasil, termos esculpido, na Constituição Federal, em seu Artigo 133, que a advocacia é imprescindível para a administração da Justiça, temos cada vez mais trabalhos feitos por não advogados que resolvem os problemas dos clientes. Vejamos os contadores, que, em muitos casos, orientam sobre impostos, até mesmo sobre demandas judiciais, sem ter o conhecimento jurídico específico, mas, para clientes ávidos por preços e apenas preços, uma resposta de alguém de confiança é mais do que suficiente.

A advocacia deve estar cada vez mais moldada em três pilares: estratégia, negociação e conhecimento. Ser estratégico é obter o melhor para o cliente, independentemente de processo judicial. Ter um bom campo de negociação é basilar para que o advogado possa sobreviver no mercado. O conhecimento deve ser cada vez mais multidisciplinar, e não apenas voltado ao conhecimento jurídico. E a tecnologia, mais do que nunca, está presente na vida do advogado, seja por meio do processo eletrônico, seja por meio da gestão, que demonstra com clareza a necessidade de usar ferramentas eletrônicas para controle, gerenciamento e total eficácia dos processos internos desenhados.

A advocacia vive uma revolução, sem sombra de dúvidas. Se Susskind está certo sobre escritórios pequenos, ainda vamos saber; contudo, sua visão tem muita coerência com o que estamos vendo hoje. Para se firmar, os pequenos devem seguir três regras fundamentais:

  1. Especialização;
  2. Diferenciação;
  3. Tornar-se competitivo.

Afirmo que estabelecer áreas de atuação mais específicas, ou como diferenciação transformar as áreas ditas como comuns, com foco em resolver problemas, para que o trabalho humano seja cada vez mais pensante e menos burocrático, irá fazer com que o mercado continue sendo viável a escritórios pequenos ou grandes.

 

Revista Visão Jurídica Ed. 93

Adaptado do texto “Há futuro para pequenos escritórios jurídicos?”

*Gustavo Rocha é sócio da GestãoAdvBr – Consultoria em Gestão e Tecnologia Estratégicas e sócio da Bruke Investimentos.